1935 - Morre, em Lisboa, o poeta português Fernando Pessoa (1888-1935). Em vida, publicou "Mensagem". Mas os heterónimos (Alberto Caeiro, alvaro de Campos, Ricardo Reis e ainda Bernardo Soares, Alexander Search, outros mais) e a dimensão e importância da obra apenas se desvendariam, pouco a pouco, a partir de 1942.

"Assim como falham as palavras quando querem exprimir qualquer pensamento, assim falham os pensamentos quando querem exprimir qualquer realidade. "
Fernando Pessoa
Porque é que é tão difícil o que aparenta ser tão fácil?
Começamos cheios de energias, de vontades, íamos comprar todo o material necessário ,desde o corta relvas ao ancinho...ainda bem que ficámos pela simples mangueira!
Realmente não é nada fácil, agora dou comigo a pesquisar desesperadamente conselhos na net, a ler sites do tipo 'lar doce lar' e outros que tais. Se ao menos as plantas falassem...se ao menos elas nos fizessem um sinal quando estivessem com sede! Seria pedir muito?
Depois de um tentativa frustrada entregámos o trabalho a quem tem competência: uma firma de jardinagem. Vão pôr-nos o jardim lindo (espero) e depois só (só?) temos que o manter...
A ver vamos!
Os papéis de embrulho ficaram espalhados pelo chão da sala, o vinho estava óptimo e o bolo também.
Tinha este texto na manga, como se costuma dizer, com medo de o mostrar, com medo de acreditar, é realista de mais...
Alguém diferente de ti parecido contigo
Vitor Hugo Neves Santos Oliveira, 02 de Fevereiro de 2002
"Um olhar chateado, igual a tantos olhares, que eu conheço e compreendo, mas que me chateia, como me chateiam todos os olhares chateados.
Mesmo os teus.
Uma discussão, a que se segue quase inevitavelmente uma outra e por aí fora, muitos dias, muitos outros dias, quase todos desta nossa vida enganada.
Amo-te como tu também me amas, bem sei, mas nunca isso é lembrado nas trocas de palavras azedas, ou nas palavras arrependidas sempre tarde demais. E depois vem o silêncio que nunca se sabe bem como terminará, nem quando. Nem mesmo se serei eu a vencê-lo ou tu.
Pode ser com o pequeno-almoço do dia seguinte, ou até com uma troca palavras que ao início até poderia parecer seca e oca, pois era do tempo que ia fazer amanhã, e de como os tipos da meteorologia se enganam sempre, que se falava... uma incógnita, nunca sabendo muito para que lado iria a história encaminhar-se, a nossa história, que cada vez mais era uma história minha e tua. O dia de amanhã chega amanhã e lá voltamos aos beijos, aos abraços, ternuras e carícias que tão bem conhecemos e que de tanto gostamos, que me fazem lembrar que te amo, como tu também me amas, bem sei.
Um olhar angustiado, igual a tantos olhares, que acostumo agora a ver e compreendo, mas que me amargura, como me amarguram todos os olhares angustiados.
Ainda para mais sendo teus.
Uma discussão, consequência de muitas outras, tida com cansaço e tristeza, que se quer que seja última.
Amo-te como também tu me amas, bem sei, mas nem sempre isso é suficiente, porque amor não é sentimento isolado, não é o bicho do mato que parece ser, é soma de vontades, de silêncios derrotados, de conversas realmente conversadas, é olhar o céu e gostar dele só por ele ser azul, mesmo que chova ou faça sol, mesmo que nos atire pedras ou nos beije com lábios de fada. E podemos agora não voltar aos beijos, ternuras e carícias que tão bem conhecemos e que tanto gostamos, e viver uma história minha e tua, com as costas doridas com uma relação que pesou bem pesado, e depois?
Nem tudo é bom, nem tudo é bonito, porque razão haveria de ser tudo nosso, só nosso? Talvez mais tarde, talvez um dia, talvez alguém diferente de ti parecido contigo."
P.S. - Nem tudo é bom, nem tudo é bonito, porque razão haveria de ser tudo nosso, só nosso? Porque nos amamos, porque podemos melhorar, porque não quero ninguém parecido contigo, quero-te a ti.
Hoje o meu amor faz anos.
Tudo foi calculado, preparado e pensado para que não falhasse nada, para que no primeiro aniversário em que vivemos juntos, ele sentisse que era bom eu estar ali, que era bom fazer anos para receber os meus miminhos e prendinhas.
O quarto não está cheio de papel de embrulho rasgado pelo chão, as prendas estão antes debaixo da cama, escondidas, com medo de sair.
Tudo correu mal.
Inesperadamente. Repetidamente.
Porquê?
1991 - Morre, vítima de sida, o vocalista do grupo pop britânico Queen, Freddie Mercury, 45 anos.
E perde-se, para mim, a maior e mais versátil voz masculina de todos os tempos!
Sim...é mesmo verdade e não resisto a partilhar: estou noiva!
Bem, não é noiva naquele sentido formal, do pedido da minha mão ao meu pai e coisas do género, foi apenas a marcação de uma data para oficializar e registar o que já de facto acontece: o nosso amor e a nossa vida a dois.
Tive sempre medo de que o facto de as coisas terem acontecido na nossa vida um pouco por ordem trocada (primeiro a vida a dois e depois o casamento), pudesse de alguma forma tirar a magia do dito dia especial. Mas não! Estou deveras excitada com a ideia, e claro...muito feliz!
Agora há que pensar, organizar, preparar tudo para que não falhe nada, o que não é uma tarefa lá muito fácil quando se está a 1800Km de distância. Mas desconfio que vou ter ajudas...
E depois há a lua de mel...já me posso imaginar num lugar paradisíaco, a fazer o que mais gosto: namorar com o meu príncipe!
Por tudo e mais alguma coisa sei que vai ser o dia mais feliz da minha vida!
Será que existe algum problema com o 'by the ocean'? Os últimos posts que tenho enviado estão registados na minha lista de entradas, figuram na lista do weblog de novas entradas, mas não aparecem no site...
Já reconstrui diversas vezes o site, que passa?
Sendo assim, este é um post de experiência, pode ser que desbloqueie qualquer coisa!
As modas são realmente uma coisa fantástica, um fenómeno ímpar e universal. Todos sabemos que as tendências aparecem por fases, que as calças à boca de sino usadas nos anos 60 se voltaram a usar em força à algum tempo para agora começarem de novo o seu declínio até à próxima apariçao. Há milhares de exemplos destes, desde o iô-iô, ao elástico, ao pião, às all star e às city jeans, às botas de cano alto e às saias tipo indiana, às fitinhas de pendurar chaves ao pescoço (bah...) e aos penteados dos 'betos' em que têm que andar com a cabeça torta e mesmo assim não vêm bem, à burberries, aos jipes e às todo o terreno de caixa aberta, às viagens para o brasil e a tantas outras coisas.
Começam ao de leve por atingir alguns cidadãos até ao boom geral dos carneirinhos todos iguais.
Os blogues são mais um exemplo de moda mundial. Mas saudável...ou talvez não...
Mas o principal motivo porque me lembrei desta conversa toda foi uma outra moda (ou mania) também bastante curiosa: a do pensamento do dia! Aos poucos e poucos não há site, jornal ou revista que se preze que não tenha o pensamento do dia.
Por isso, vou dar o meu contributo, li um hoje que gostei (também sou vulnerável a modas...), aqui vai:
"Uma das grandes desvantagens da pressa é que nos faz perder tempo demais". G. K. Chesterton (1874- 1936), escritor britânico.
Encontrei estas curiosidades e achei por bem partilha-las...
No dia 19 de Novembro de:
2002 - O petroleiro Prestige parte-se em dois e afunda-se ao largo da Galiza. O derrame de fuel óleo, verificado ao longo dos últimos cinco dias, e que já se estimava em cerca de 4000 toneladas, aumenta exponencialmente. Teme-se agora uma maré negra sem precedentes.
1962 - É inaugurado, em Lisboa, o Centro de Investigação do Instituto Calouste Gulbenkian.
1917 - Nasce em Allahabad, ïndia, Indira Ghandi (1917- 1984), futura primeira-ministra do país, que viria a ser assassinada por extremistas sikhs.
1846 - É fundado o Banco de Portugal com o decreto régio que determina a fusão do Banco de Lisboa com a Companhia de Confiança Nacional, sociedade de investimento especializada no financiamento da dívida pública. O Banco de Portugal surge com a função de banco comercial e de banco emissor.
1828 - Morre, em Viena, Franz Schubert (1797-1828), compositor austríaco. Deixou uma extensa obra de "lied" (cançöes), obras corais, sinfónicas, para piano e para conjuntos de câmara. "A Bela Moleira", "Viagem de Inverno", "A Morte e a Donzela" (ciclo de cançöes e quarteto) são apenas algumas das obras mais conhecidas.
Será que todos os anos há algo de notável em cada dia? O que será relembrado do dia 19 de Novembro de 2003?
Gostei de ler, vou transcrevendo quando me lembrar.
O que é verdade hoje nem sempre o é amanhã.
As certezas que temos quando estamos zangados nem sempre são certezas quando nos acalmamos.
Talvez a paciência seja mesmo a maior das virtudes. Paciência no sentido de capacidade de compreender, de esperar, de perdoar e de começar de novo sem reclamar.
E é tão bom estar em paz...
Pensava que a vida citadina, uma simples ida a um shopping era uma coisa natural, inata, tal como aprendemos a falar ou a escrever, uma coisa que aprendemos cedo e que na nossa idade já é um dado adquirido. Enganei-me. Obviamente que não é, e estou a viver uma experiência que me mostra através do meu desespero como pode ser difícil para um cliente fazer compras no Parque Atlântico. Para quem não sabe, o mais recente shopping do grupo Sonae e o primeiro a ser implementado em S.Miguel.
Em cada loja que entro o desespero é o mesmo, a mais simples pergunta desencadeia as situações mais inesperadas e complicadas de resolver.
-Bertrand: “Tem algum livro da Lucinda Alves?” – grande confusão de empregados a olhar para as prateleiras com ar de quem pensa que eu estou a falar de algum alien.
-Mango: “tem o número acima desta saia?” – a empregada olha para o expositor ao meu lado, vê uma saia igual, observa o número e diz que é mais pequeno...hello...até aí já eu tinha chegado!! Será que existe um armazém?
-Multiopticas: perante umas lentes de teste, que vinham em dois invólucros de plástico, uma para cada olho, pergunto: “Para quanto tempo dão estas lentes?” – resposta em brasileiro: “É para trinta dias mas como a doutora mandou vir duas embalagens dá para sessenta dias” – será que ele não vê que são duas porque é uma para cada olho???
-CDMusic: “Tem algum cd de Morcheba?” – resposta: “Hum...deixe ver, se estiver está na parte de dance music” – quê?!?!?
Enfim, digamos que não é fácil.
Como se domina o impulso negativo de irritação que surge logo após uma contrariedade? Porque é que tudo parece sem interesse quando não é exactamente como nós planeámos? Bem, não é tudo, mas há situações em que isso se passa. Principalmente se planeamos bastante um momento, se alimentamos a nossa imaginação a cada minuto que passa, até já quase não aguentarmos de ansiedade...e eis que afinal algo de imprevisto acontece e nos estraga os planos!
Este é um dos meus principais objectivos, combater as contrariedades!
Agora sim, agora tenho a 'casa' arrumada. Todos os meu antigos posts foram editados e republicados neste blog. Deu algum trabalho, ainda bem que só tenho três meses nestas andanças...
A partir de agora posso voltar às minhas divagações, às minhas angústias, medos, alegrias, surpresas e preocupações.
Até já.
Não sei se me apetece escrever, sei que se o fizer abertamente, sem medir palavras nem emoções, vou entrar num turbilhão de sentimentos que nem eu própria sei explicar. O que sinto neste momento está a sufocar-me, já me sufocou de raiva, já me sufocou de tristeza, de desilusão, agora sufoca-me de medo, de angústia, de pânico do dia a seguir.
Queria que alguém me dissesse que vai ficar tudo bem, que os dias felizes vão regressar, não posso (ou não podemos) ter errado de tal forma que não nos seja permitido o regresso.
...
...
Alguém já disse. Não me deu certezas mas deu-me esperanças. Obrigada.
Assim como quem muda de casa e tem o nervoso miudinho de arrumar tudo rapidamente, de sentir que a casa nova está 'au point', assim me sinto eu a estrear o novo alojamento do meu blog.
Confesso que não percebo nada do que está por trás da fachada, ou seja, na realidade não faço ideia onde é que ele (o blog) realmente ou virtualmente está.
Agora vou ter que configurar tudo da melhor maneira, recuperar o meu antigo blog, enfim, a lots of work to do. Por isso estes primeiros dias vão ser dedicados à arrumação.
Até breve.
Depois de escrever o último post recebi um telefonema...MB, pois claro.
Um telefonema normal, para por novidades em dia e falar de amores e desamores.
Um telefonema simples que teve o dom de 'chocalhar' o meu estado de espírito, a minha inércia e apatia perante o que me rodeava.
Não será das melhores coisas do mundo a amizade? Não será essa uma das mais puras formas de amor?
Ainda falta muito para o fim de ano? :)
P.S. - Para a menina que gosta das minhas imagens, aqui vai mais uma, do meu 'doggie' mais novo.
É difícil controlar a tristeza, a angústia. Tenho tentado, mas por vezes afigura-se realmente difícil. Não porque tenha acontecido algo que me pudesse deixar realmente em baixo, não que me tenham magoado, irritado ou qualquer outra coisa de modo grave. Nada disso, e o problema reside exactamente aí!
Na discussão de quinta-feira passada, ainda tão fresca na minha memória, fui acusada, entre outras coisas, de me magoar a mim mesma. E o pior é que por vezes tenho que admitir que talvez seja verdade. Por vezes não, por vezes sei que realmente tenho razão. Mas como julgar? Como saber? Como não sofrer sem razão?
Às vezes acho que nunca chega, que por mais que uma pessoa se esforce e vença uma batalha, somos logo confrontados com um desafio maior, do género: 'vê lá se te livras desta agora!'. A mim acontece-me isso imensas vezes. Ontem, por exemplo, voltou a ser um daqueles dias horríveis, em que mal falámos, em que as horas passaram e nada aconteceu, em que cheguei a casa e estive sozinha até tarde, o que também não ajudou nada. À noite, quando por fim ele regressou, eu estava em baixo, mas esforcei-me para ficar bem, para agir normalmente (mesmo quando ele não me trouxe as castanhas que lhe tinha pedido...), para pensar que nada de importante tinha acontecido e eu precisava de não ser tão piegas...
E consegui! E senti-me bem por isso e pensei que realmente tinham existido diversas situações em que eu me poderia ter poupado a mim mesma. Até que veio a bomba, o desafio, o teste...'sexta-feira volta a haver jogo amor, tenho que lavar rápido o equipamento'. Sexta-feira? SEXTA-FEIRA? O meu coração caiu, o meu bem estar foi embora. Como é que ele podia dizer isso com aquela naturalidade? O que começou por ser um treino por semana para matar o bichinho, passou a dois, passou a ter jogos e agora até a sexta à noite me roubava? O meu momento de semana? Se os jogadores fossem poucos, mas não: são imensos e quase que se zangam para jogar. Não podem jogar sempre todos. Será que ele não poderia ter dispensado o jogo de sexta? Será que ele gostaria de ficar em casa sozinho a uma sexta à noite? Aqui na ilha? Longe de tudo?
Consegui manter a pose, apenas disse que não achava piada nenhuma ao facto de haver jogo sexta. Não se tocou mais no assunto e o resto da noite correu bem, mas acho que ele percebeu que me tinha magoado. Mas nada fez nem nada disse... e aí entra o meu diabinho, que vem logo dizer: 'estás a ver?Esforças-te por não criar brigas, por o compreender e não és retribuída em quase nada...'. Tentei não o ouvir, não lhe ligar, mas a verdade é que uma parte de mim sentia o mesmo.
Sei que sexta-feira ele vai jogar. Sei que me vai custar estar sozinha. Sei que vou ficar triste por ele ir. Mas também sei que não quero que isto nos afecte. Se é verdade que ele não se esforça por me compreender ou entender, então eu vou-me esforçar ainda mais. Mas que me custa, custa.
Foi bom escrever isto tudo, apesar de saber que é uma grande seca de conversa...mas ajudou-me. Acho que ao escrever, ao pôr para fora as minhas emoções, alivio um pouco o que sinto e torno-me mais ponderada. E ponderação nunca fez mal a ninguém, não é?
Hoje a moral baixou um bocadinho, nada de alarmante mas sinto-me mais em baixo. Provavelmente será apenas devido às poucas horas de sono das últimas noites (motivos de trabalho, não tenham já outras ideias!).
Por isso o que mais me apetece agora é ir para o conforto do meu lar, e que bom é termos a nossa casa, o nosso cantinho, o nosso espaço! Como sei que vou estar sozinha até perto das 22h (devido a um torneio de futebol...), vou-me aninhar no sofá, cobrir-me com qualquer coisa bem quente e fofa, e pousar a minha sasha no peito. Ela liga os motores e praticamente me adormece com o seu ronronar delicioso...

A minha princesinha.
Parece que agora o 'by the ocean' já está no seu horário correcto! Não que altere grande coisa no seu conteúdo, mas prefiro tudo certinho.
Há próximos passos...mas só quando arranjar um tempinho.
Bom dia amigos. Bom dia ilha. Bom dia mundo. Bom dia vida!
O fim de semana foi todo dedicado ao trabalho (e também aos pets) mas foi completamente regenerador! É em dias como hoje que eu paro e penso: como é que podias estar tão desesperada na quinta-feira?
Nestes dois dias ganhei uma alma nova, uma vontade e uma força imensa de lutar contra os meus defeitos para que eles não estraguem nada nem magoem ninguém.
Para combinar com esta alma nova...vesti uma roupa nova... :) sim, porque agora que já temos shopping, o meu querido espírito consumista ficou rapidamente avivado! Só tenho pena que não estejas perto de mim MB, fazer compras com o meu namorado não tem piada nenhuma, farta-se logo e faz comentários do género: essa saia que compraste parece feita de saco da batatas...enfim!
Como se costuma dizer...a rapariga está bem e recomenda-se!

É preciso relaxar, descansar, divertir e recuperar o máximo de energias!
Jimmy Cliff (Johnny Nash)
I can see clearly now,
The rain is gone,
I can see all
Obstacles in my way
Gone are the dark clouds
That had me blind
It's gonna be a bright,
Bright, sun-shiny day.
I think I can make it now,
The pain is gone
All of the bad feelings
Have disappeared
Here is the rainbow
I've been prayin' for
Its gonna be a bright,
Bright, sun-shiny day.
Look all around,
There's nothin'
But blue skies
Look straight ahead,
Nothin' but blue skies
I can see clearly now,
The rain is gone,
I can see all
Obstacles in my way
Gone are the dark clouds
That had me blind
It's gonna be a bright,
Bright, sun-shiny day.
Ontem pela primeira vez tive medo de perder qualquer coisa. Ontem pela primeira vez senti que estávamos a pisar o risco, a esticar demais o elástico e há um ponto em que ele não volta ao ponto de partida, todos nós sabemos.
Mas foi esse medo que me fez abrir os olhos, me fez ver que ainda tenho muito caminho a percorrer, muito que aprender até atingir a maturidade que eu pensava já ter. É preciso saber ouvir, saber perdoar, saber desculpar e muito importante, saber filtrar os problemas, saber não fazer a perigosa bola de neve. Era o que eu estava a fazer.
Custou-me ouvir da boca dele que eu é que me magoo a mim própria, que eu é que procuro os problemas em vez de os evitar...dói muito. Faz-me sentir ridícula, parece que tudo o que tenho estado para aqui a falar e a desabafar não é bem assim, eu sei que algumas vezes é mas também sei que em parte ele tem razão.
Custou-me ouvir da boca dele que nestes dias tem estado sem paciência para mim, para as minhas tristezas e os meus medos. Mas também nem era preciso dizer...eu já tinha reparado.
E perante tudo isto, numa altura em que eu me sentia cada vez pior, cada vez mais aflita, pensei: de que vale tanta discussão e chatice se nos perdermos um ao outro? Eu amo-o, disso não tenho dúvida e por isso é preciso lutar. Sei que tenho fraquezas, sei que muitas vão ser difíceis de perder ou quase impossíveis, mas é preciso tentar, é preciso acreditar pois o que é a vida sem amor?
Vou-me esforçar e sai que ele fará o mesmo.
Já tinha experimentado esta sensação algumas vezes, mas hoje tive a certeza: caminhar faz bem à alma!
Quando era mais nova, quando tinha que me dirigir a pé para o ciclo, depois para a secundária e ainda para a faculdade, sempre achei que caminhar era realmente chato. Sempre que podia metia-me num autocarro, nem que fosse para poupar 5min de passadas. Inventava jogos, do género de contar as pedras do lancil, o número de passos, tudo para me distrair e passar mais depressa o tempo.
Quando passei a ter carro as caminhadas reduziram-se quase a zero. De vez em quando lá ia de minha casa à casa da minha mãe a pé, mas apenas por razões médicas, para activar a circulação. Depois, já aqui na ilha, apenas caminhava aos fins de semana, quando levávamos os cães a passear.
Agora que estou inibida de conduzir (assim com palavras caras até nem soa tão mal), tenho andado a pé diariamente. Ou porque a boleia que me leva para casa ainda me deixa relativamente longe, ou porque preciso de ir ao banco ou aos correios e quase sempre para ir almoçar.
E foi o que aconteceu hoje, apeteceu-me ir ao café onde normalmente vou almoçar, que é o mais longe de todos e então fui, sozinha. Na ida ainda estava um pouco em baixo, absorta em pensamentos que não me largam nem um minuto, com o meu anjinho e o meu diabinho numa luta imensa. Almocei, dei uma vista de olhos numa revista cor-de-rosa, que não diz nada mas distrai-nos momentaneamente, e paguei.
Quando saí, ao olhar para a frente tive uma injecção de energia instantânea: o céu estava limpo, com o sol de inverno a brilhar e uma leve aragem, e o que conseguia ver eram os montes verdinhos, com as suas vaquinhas empoleiradas, na sua vida descansada e ruminante. Caminhei por alguns minutos com este quadro pela frente até ter que me desviar para a rua da Câmara...
Mas a verdade é que o meu dia ficou surpreendente e agradavelmente melhor! Ainda não estou a 100%, mas não se pode estar sempre, não é? O que importa é não baixar os olhos para a beleza que nos rodeia.
As letras das músicas que transcrevi para o meu diário são tristes, tocantes, profundas. Devem ser as três músicas que mais me tocam e que me trazem sempre lágrimas aos olhos.
Mas inexplicavelmente sinto-me muito melhor depois de as ouvir. Agora apenas as li, mas foi bom recordar.
Sheets of empty canvas
Untouched sheets of clay
Were laid spread out before me
As her body once did
All five horizons
Revolved around her soul
As the earth to the sun
Now the air I tasted and breathed
Has taken a turn
Ooh and all I taught her was everything
Ooh I know she gave me all that she wore
And now my bitter hands
Shake beneath the clouds
Of what was everything
All the pictures had
All been washed in black
Tattooed everything
I take a walk outside
I'm surrounded by
Some kids at play
I can feel their laughter
So why do I sear
Oh, and twisted thoughts that spin
Round my head
I'm spinning
Oh, I'm spinning
How quick the sun can, drop away...
And now my bitter hands
Cradle broken glass
Of what was everything
All the pictures had
All been washed in black
Tattooed everything
All the love gone bad
Turned my world to black
Tattooed all I see
All that I am
All I'll ever be...
Yeah
Uh huh...uh huh...ooh...
I know someday you'll have a beautiful life
I know you'll be a star
In somebody else's sky
But why
Why
Why can't it be
Why can't it be mine
we belong
we belong together
together
PEARL JAM
I've been looking so long at these pictures of you
That I almost believe that they're real
I've been living so long with my pictures of you
That I almost believe that the pictures are
All I can feel
Remembering
You standing quiet in the rain
As I ran to your heart to be near
And we kissed as the sky fell in
Holding you close
How I always held close in your fear
Remembering
You running soft through the night
You were bigger and brighter and wider than snow
And screamed at the make-believe
Screamed at the sky
And you finally found all your courage
To let it all go
Remembering
You fallen into my arms
Crying for the death of your heart
You were stone white
So delicate
Lost in the cold
You were always so lost in the dark
Remembering
You how you used to be
Slow drowned
You were angels
So much more than everything
Hold for the last time then slip away quietly
Open my eyes
But I never see anything
If only I'd thought of the right words
I could have held on to your heart
If only I'd thought of the right words
I wouldn't be breaking apart
All my pictures of you
Looking so long at these pictures of you
But I never hold on to your heart
Looking so long for the words to be true
But always just breaking apart
My pictures of you
There was nothing in the world
That I ever wanted more
Than to feel you deep in my heart
There was nothing in the world
That I ever wanted more
Than to never feel the breaking apart
All my pictures of you
THE CURE
Waiting on an angel
One to carry me home
Hope you come see me soon
Cause I don't wanna go alone
I don't wanna go alone
Now angel, won't you come by me
Angel, hear my plea
Take my hand
Lift me up
So I can fly with thee
So that I can fly with thee
And I'm waiting on an angel
And I know it won't be long
To find myself a resting place
In my angels arms
My angel's arms
So be kind to a stranger
Cause you'll never know
It just might be an angel
Ohh knocking at your door
Knocking at your door
And I'm waiting on an angel
And I know it won't be long
To find myself a resting place
In my angels arms
In my angels arms
Waiting on an angel
One to carry me home
Hope you come see me soon
Cause I don't wanna go alone
I don't wanna go alone
Don't wanna go
I don't wanna go alone
BEN HARPER
Se ontem o meu dia não foi bom, hoje não está a ser melhor.
Neste momento em que escrevo estou sufocada pelas lágrimas que não quero deixar sair (além de não ser bonito chorar no trabalho, também deixava de ver para escrever...).
Tive mais uma daquelas fantásticas conversas pelo telefone que nos conseguem esmagar. Estou nervosa, triste, angustiada, irritada! Não sei se é pelo facto de não ter a minha liberdade, de depender de todos para me movimentar, ou então pura carência.
Se ontem o mar era de silêncio, hoje evoluiu...para a tempestade!
Conversas secas, gritos mudos, sorrisos amarelos e frases inventadas...é tudo o que temos trocado. E como sempre, a cereja no cimo do bolo:a discussão ao telefone. Eu acho sempre que ele pode fazer mais, ele acha sempre que já faz de mais!
Queria sumir, queria esconder-me num buraquinho, queria que ele me entendesse, mas ao mesmo tempo tenho tanto medo...será que é melhor não dizer nada? Será que estava melhor se não tivesse deixado a conversa descambar?
Droga! (mais uma vez...)
Quero o fim de semana rápido...esta semana já está pesada demais...
Ontem o meu dia não terminou da melhor maneira.
Quando eu achava que tudo estava bem, que eu até estava a ser forte ao conseguir não prolongar os problemas, etc, etc, afinal estávamos mergulhados num mar de silêncio...
A minha cabeça não parou um segundo, cheia de dúvidas, de mágoas, de irritações, muitas vezes tive vontade de abrir a boca para reclamar, para me chatear, mas ao menos para me libertar. Mas não abri.
Estava triste, magoada, mas não abri a boca. Nem quando debaixo de chuva e já de noite fui sozinha limpar a casota dos cães, nem quando fui sozinha apanhar a roupa, nem quando fui sozinha estender a roupa que estava na máquina, nem quando fui sozinha pôr mais uma máquina de roupa, nem mesmo quando antes de ir para a cama fui sozinha mais uma vez à garagem pôr a roupa acabada de lavar (camisas dele...) na máquina de secar, para que hoje a empregada pudesse passar a ferro.
Ele pôs a mesa (o jantar já tinha sido feito por mim), arrumou a cozinha (dois pratos e um tacho para a máquina) e tirou os cafés. É justo.
Estou furiosa e chata, mais pareço uma velha rezingona a cobrar tudo o que fez, sei que não deveria ser assim, mas há dias em que é demais. Pergunto-me a mim mesma como é que eles conseguem? Como é que conseguem seguir a sua vida descansados sem ver o que os rodeia? Como?
E no final de tudo, mesmo eu não tendo aberto a boca, mesmo ele não fazendo a menor ideia do que me ia na alma, a paga que tive foi alguém ao meu lado completamente frio e distante, sem um gesto de carinho, uma festa que fosse. Já na cama, as únicas palavras foram: 'vamos apagar a luz que já é tarde?'.
Droga!
Não posso, não devo e não quero ser assim. Mas o que fazer perante tamanha diferença de sentimentos, de vontades e de necessidades? Será que daqui a 30 anos vou continuar a queixar-me do mesmo? Será que vou continuar a reclamar por atenção, por algo especial e surpreendente todos os dias?
Ou será que eu é que estou mal, que não sou a companheira ideal, que não sei ter toda a paciência que devia, que não sei compreender o lado masculino dele...
Mais uma vez a eterna dúvida: até onde é possível exigir? a partir de onde é necessário ceder?
Hoje está um daqueles dias à boa moda da invicta...o céu está cinzento, não muito escuro, e cai uma chuva miudinha, a chamada 'molha tolos', aquela que sabemos de manhã que vai ficar o dia todo...se não estivesse no escritório diria que é domingo. Os domingos é que costumam ser assim, sombrios, sem cor, sem vida.
E pelos vistos os astros influenciam mesmo a nossa vida: ainda eu nem tinha posto o pezinho na rua, ainda eu nem tinha olhado para o dia sombrio que me esperava, e já estava ele a ser sombrio mesmo dentro de casa...
Como é que é possível discutir (talvez discutir não seja bem o termo, é mais amuar...) de manhã? Detesto quando isto me acontece, e até já devo ter falado no assunto, mas a verdade é que me deixa logo de estômago embrulhado! E ainda por cima sempre por motivos sem interesse, que surgem do nada e parece que vêm mesmo testar a nossa paciência, a nossa capacidade de resistir à discussão. O problema é que a minha capacidade é pequena, digamos que já foi quase nula, a convivência a dois vai-me dando mais calma, mais maturidade, acho eu. Pelo menos nas 'grandes' discussões...nas pequenas ainda derrapo de vez em quando. Hoje foi um desses dias.
Mas se ainda não aprendi a dominar algumas reacções, já aprendi a não as prolongar, em cortar o mal pela raiz, já aprendi a fazer as pazes sem prolongar muito o assunto. Já é um passo, não?