Ontem à noite aconteceu-me uma situação que tenho que a partilhar, pelo caricato e pela simplicidade que já não se encontra nos dias de hoje.
Tinha uma consulta marcada para o Dr. Carlos Brito, de quem eu nunca tinha ouvido falar, e que me foi marcada pelo banco por causa do seguro de vida a favor do empréstimo bancário. A consulta era às 19h30, mas como já me tinham avisado do atraso normal das consultas do referido médico, resolvi ligar antes e informaram-me que seria atendida palas 23h30m.
Ora sendo assim, jantei, vi um filme, e pelas onze horas eu e o meu mais que tudo lá saímos (tal qual quem sai para ir beber um copo) para ir à consulta...
Não vou descrever em pormenor a conversa, mas digo que ficámos dentro do consultório até à uma da manhã a conversar com o médico...da vida! Por coincidência ele era (como nós) do continente e veio para aqui (para o meu pequeno paraíso) trabalhar à 18 anos. Veio por um ano...nunca mais voltou.
Para nós foi óptimo falar com ele, pois ele fala disto e do povo daqui com um brilho nos olhos contagiante, é completamente apaixonado pelo lugar, pelas pessoas, pelo estilo de vida, enfim, tudo.
E agora dizem vocês, o que é que isso tem de virtude ou vantagem em relação à vida citadina? Só posso dizer que só depois de vermos o outro lado, o mais calmo e mais humano nas relações, é que conseguimos perceber tudo o que havia de errado no tipo de vida citadino que levávamos...
E aqui, amori mio, vem a questão de que falavas ontem...pilhas e pilhas de papéis, numa vida stressante do acordar ao deitar, que nos rouba tanto tempo que acabamos por não aproveitar as supostas vantagens ao nosso alcance numa cidade (teatro, exposições, bares, etc).
Posso vir a mudar de ideias, mas para já, tenho o mesmo sentimento do Dr.Carlos...estamos num lugar priveligiado, num pequeno paraíso plantado no meio do Atlântico, onde a vida ainda tem qualidade...