As saudades são tramadas.
Infiltram-se dentro de nós, massacram-nos minuto a minuto e podem chegar a sufocar-nos.
Tenho saudades de tantas pessoas, e saudades tão diferentes...
Tenho saudades da minha mãe, de tudo o que ela me fazia e eu nem ligava ou achava normal quando estávamos juntas. Queixo-me agora que ela me liga vezes de mais mas se passa um dia e o telemóvel não toca Eminem ao mesmo tempo que diz MÃE...fico triste.
Tenho saudades da minha irmã, minha princesinha que agora está a ficar uma mulherzinha e até já vai estudar para Coimbra...
Tenho saudades do meu Pai, que apesar de ter sido uma figura sempre mais ausente (e agora ainda mais...) foi sempre o meu herói.
Tenho saudades de ir visitar a família, estar com avós, primos, amigos da terra...
Tenho saudades do pessoal do meu antigo emprego, dos meus amigos, das conversas, das saídas.
Tenho saudades da minha MB, de irmos às compras apesar de não termos dinheiro para isso, dos domingos deprimentes em que nos tentávamos apoiar uma à outra, dos segredos e confissões que trocávamos. Agora falamos, mas não nos vemos, não conseguimos ler no olhar, mostrar roupas novas...
Tenho saudades da minha NINI, que sempre foi a dedicação em pessoa, que sempre me deu carinho e atenção, às vezes duma forma até maternal.
Tenho saudades da minha cidade, de percorrer a VCI, ir ao Arrábida, ir ao Estado Novo, ver a bola nas Antas...(tive que me denunciar em relação à minha terra...)
Tenho saudades de todas as pessoas que lidavam comigo, desde desconhecidos que se tornavam conhecidos pela frequência de lugares, a amigos, colegas, família.
Quando estava aí não tinha saudades de nada do que falei, apenas tinha saudades de UMA pessoa...a única que agora está sempre ao meu lado.
O amor é tramado.