É difícil controlar a tristeza, a angústia. Tenho tentado, mas por vezes afigura-se realmente difícil. Não porque tenha acontecido algo que me pudesse deixar realmente em baixo, não que me tenham magoado, irritado ou qualquer outra coisa de modo grave. Nada disso, e o problema reside exactamente aí!
Na discussão de quinta-feira passada, ainda tão fresca na minha memória, fui acusada, entre outras coisas, de me magoar a mim mesma. E o pior é que por vezes tenho que admitir que talvez seja verdade. Por vezes não, por vezes sei que realmente tenho razão. Mas como julgar? Como saber? Como não sofrer sem razão?
Às vezes acho que nunca chega, que por mais que uma pessoa se esforce e vença uma batalha, somos logo confrontados com um desafio maior, do género: 'vê lá se te livras desta agora!'. A mim acontece-me isso imensas vezes. Ontem, por exemplo, voltou a ser um daqueles dias horríveis, em que mal falámos, em que as horas passaram e nada aconteceu, em que cheguei a casa e estive sozinha até tarde, o que também não ajudou nada. À noite, quando por fim ele regressou, eu estava em baixo, mas esforcei-me para ficar bem, para agir normalmente (mesmo quando ele não me trouxe as castanhas que lhe tinha pedido...), para pensar que nada de importante tinha acontecido e eu precisava de não ser tão piegas...
E consegui! E senti-me bem por isso e pensei que realmente tinham existido diversas situações em que eu me poderia ter poupado a mim mesma. Até que veio a bomba, o desafio, o teste...'sexta-feira volta a haver jogo amor, tenho que lavar rápido o equipamento'. Sexta-feira? SEXTA-FEIRA? O meu coração caiu, o meu bem estar foi embora. Como é que ele podia dizer isso com aquela naturalidade? O que começou por ser um treino por semana para matar o bichinho, passou a dois, passou a ter jogos e agora até a sexta à noite me roubava? O meu momento de semana? Se os jogadores fossem poucos, mas não: são imensos e quase que se zangam para jogar. Não podem jogar sempre todos. Será que ele não poderia ter dispensado o jogo de sexta? Será que ele gostaria de ficar em casa sozinho a uma sexta à noite? Aqui na ilha? Longe de tudo?
Consegui manter a pose, apenas disse que não achava piada nenhuma ao facto de haver jogo sexta. Não se tocou mais no assunto e o resto da noite correu bem, mas acho que ele percebeu que me tinha magoado. Mas nada fez nem nada disse... e aí entra o meu diabinho, que vem logo dizer: 'estás a ver?Esforças-te por não criar brigas, por o compreender e não és retribuída em quase nada...'. Tentei não o ouvir, não lhe ligar, mas a verdade é que uma parte de mim sentia o mesmo.
Sei que sexta-feira ele vai jogar. Sei que me vai custar estar sozinha. Sei que vou ficar triste por ele ir. Mas também sei que não quero que isto nos afecte. Se é verdade que ele não se esforça por me compreender ou entender, então eu vou-me esforçar ainda mais. Mas que me custa, custa.
Foi bom escrever isto tudo, apesar de saber que é uma grande seca de conversa...mas ajudou-me. Acho que ao escrever, ao pôr para fora as minhas emoções, alivio um pouco o que sinto e torno-me mais ponderada. E ponderação nunca fez mal a ninguém, não é?
Publicado por mimi em novembro 12, 2003 11:43 AM